3 de março de 2009

Cerrado, morte anunciada!

O desmatamento no cerrado do País terá aumentado 14% até 2050, o que deve reduzir a área preservada para cerca de 1 milhão de km2 é o que mostram os dados são de um estudo da Universidade Federal de Goiás (UFG). A previsão é de redução de 40 mil km2 do bioma por década, se for mantido o ritmo atual de avanço da fronteira agrícola e pecuária.

Sou filho criado nesse BIOMA, não mais que 20 anos atrás ainda, plantávamos apenas nas "baixadas" ou "pés-de-serra" onde sabia-se que a terra era fértil. O restante mal dava para pastorear umas poucas reses.

Chegou a tecnologia e aboliu o fator que limitava a agricultura nessas terras ácidas e metalizadas. Com a "calagem" através de calcário e pulverização de gesso diminuindo a ação do alumínio, as terras que julgávamos infertérteis apresentam uma aptidão sem limites para a agricultura principalmente pela sua extensão e topografia (mecanização).

Agora, as áreas já devastadas deverão subir dos 800 mil km2 de 2002 para 960 mil km2 daqui a quatro décadas. Esse aumento representa a metade do Estado de Goiás ou dez vezes a área do Distrito Federal.

Até 2020, cerca de 60 mil km2 poderão ser incorporados ao sistema agrícola da região.

Os cálculos, feitos pelo professor da UFG Manuel Eduardo Ferreira, com base em imagens de satélites, sinalizam para uma expansão da fronteira agrícola no cerrado em direção às regiões Norte e Nordeste do País, sobretudo Bahia, Piauí e Maranhão, onde é crescente o plantio de soja. Isso trará consequências socioeconômicas e ambientais, como maior comprometimento das bacias hidrográficas de todo o bioma, com prejuízos diretos para os recursos hídricos, solo e biodiversidade da região.

O cerrado se espalha por dez Estados e o Distrito Federal. É o segundo maior bioma dos seis existentes no País, perdendo para a Amazônia. É também considerado uma das savanas mais ricas do mundo por causa do contato biológico com biomas vizinhos. Em áreas de cerrado estão nascentes de importantes rios da bacia Amazônica, do Prata e do São Francisco.

Ferreira atua no Laboratório de Processamento de Imagem e Geoprocessamento (Lapig) do Instituto de Estudos Socioambientais da UFG, principal organismo a estudar o cerrado no País. O Lapig é credenciado pelo Ministério do Meio Ambiente e trabalha com imagens de satélites, o que o MMA não faz - o controle por satélite é somente para a Amazônia. O estudo foi realizado em conjunto com a Universidade Federal de Minas Gerais - Departamento de Cartografia, Centro de Sensoriamento Remoto. MUDANÇA NA OCUPAÇÃO Segundo o professor, as terras com cobertura vegetal mais densa, de fisionomia florestal - cerradão e mata seca -, mesmo em menor quantidade, foram originalmente (e continuam sendo) as mais procuradas por agricultores, por oferecerem um maior suporte nutricional aos plantios.

"Entretanto, nas últimas décadas a fertilidade vem deixando de ser um fator limitante à ocupação do cerrado por causa da incorporação de novas técnicas de plantio e adubação", escreve Ferreira. Nos atuais alertas de desmatamento (período 2003 a 2007) há uma concentração em áreas de "baixa" ou "muito baixa" fertilidade (56% e 42%, respectivamente), indicando uma menor dependência em relação às áreas consideradas de terra boa.

"A ocupação do cerrado parece estar vinculada também às condições climáticas da região, demonstrando a relevância da média mensal anual de precipitação como uma variável importante neste processo", diz o professor. Como hoje foram desenvolvidas modernas técnicas de irrigação, é possível que a ocupação não se dê mais como no início, em que se buscava a precipitação pluviométrica. Provavelmente, com o avançado estágio de conversão do bioma, somado ao uso de técnicas apropriadas de irrigação, essa dependência à precipitação seja cada vez menor, em comparação com o início da década de 1970 - momento da expansão inicial da fronteira agrícola no Centro-Oeste brasileiro.

Entre as variáveis causadas pelo homem com a transformação da vegetação original, a infraestrutura rodoviária oferece uma grande atratividade para o desflorestamento, conclui o estudo. "Sobretudo nas áreas de extração madeireira e produção de carvão vegetal (casos da Amazônia e do cerrado) ou para a agricultura de larga escala (caso do cerrado). Tal fato se deve, naturalmente, pela necessidade de escoamento da produção, influenciando o surgimento e desenvolvimento de outras atividades, como urbanização e rotas de comércio e indústrias." Os estudos apontam também para notícias boas para os ambientalistas.

Ao contrário da segunda metade do século 20 (principalmente nas décadas de 1970 e 1980), ainda com uma elevada taxa anual de conversão do cerrado (1%), espera-se para as próximas décadas do século 21 uma taxa de conversão cada vez menor, em torno de 0,4% ao ano. Isso se deve a fatores como redução gradativa das áreas de interesse para a agricultura e pastagem, oscilação da economia, intensificação do uso da terra em áreas já convertidas, aumento da fiscalização ambiental e criação de áreas de conservação.
FONTE: UFG

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