4 de maio de 2009

Onde descartar os aparelhos antigos, quando o governo estimula a troca por novos?


Consumidor aproveita redução do IPI e troca aparelhos antigos. Para onde vão os descartados?


A logística reversa é responsável pelo retorno desses materiais para destinação adequada e preservação do meio ambiente.

Com o anúncio da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) no último dia 17, grandes redes do varejo aproveitaram o feriado prolongado para repassar o corte ao consumidor e algumas redes contabilizaram crescimento entre 20% e 25% nas vendas, em grande parte pela redução dos preços entre 8% e 12%. A medida tem como objetivo movimentar a economia e garantir empregos para o setor.

A questão que fica é: o que o consumidor deve fazer com os equipamentos antigos? Geladeiras, fogões e máquinas de lavar não podem ser descartados no lixo comum, pois são potenciais poluentes, além de contribuirem para enchentes se forem parar em rios e córregos. Além da alta do consumo incentivada pela redução do IPI, o governo federal anunciou em fevereiro que financiará por ano a troca de 150 mil geladeiras velhas com gás CFC, que destrói a camada de ozônio.

A intenção é usar meio por cento do arrecadado com contas de energia, cerca de R$ 250 milhões, para tirar de circulação as geladeiras antigas, trocando-as por novas, mais econômicas e menos poluentes. Para ilustrar o tamanho desse mercado, somente em 2008, de acordo com pesquisas da Nielsen, mais de 972 mil refrigeradores foram comercializados no setor de auto-serviço e nas principais redes varejistas do Brasil.

A manufatura reversa é responsável pelo retorno desses materiais para destinação adequada e preservação da marca. A reciclagem acontece com a desmontagem dos materiais e separação dos componentes para tratamento e reaproveitamento como matéria-prima em outros processos industriais. Somente nos Estados Unidos, o retorno de produtos do mercado movimenta U$ 750 bilhões por ano, seja por questões legais, pela redução de custos, pela fidelização de clientes através de assistência técnica ou desistência de compras, pela preservação do meio ambiente, entre outros objetivos. No Brasil, esse número ainda não está disponível, mas o CLRB – Conselho de Logística Reversa do Brasil trabalha para desenvolver o setor.

Para comentar o assunto, sugerimos o professor Paulo Roberto Leite, presidente do Conselho de Logística Reversa do Brasil e autor do livro “Logística Reversa – Meio Ambiente e Competitividade”.

O CLRB reúne empresas de diversos setores, como Correios, TGestiona, Oxil, HP, Estre Ambiental S/A, Silcon Ambiental e Rapidão Cometa e realizará no dia 13 de maio, um Fórum Internacional de Logística Reversa, no Bourbon Convention Ibirapuera, em São Paulo.

Segundo o professor, a visibilidade da Logística Reversa tem se acentuado nos últimos anos em todo mundo e no Brasil em função da enorme quantidade e variedade de produtos, com ciclos de vida cada vez mais curtos, que vão para o mercado visando satisfazer aos diversos segmentos.

“Além da questão sustentável, com o retorno de itens já consumidos, a logística reversa atende à crescente necessidade de retorno de produtos ainda não consumidos (pós-venda)”, explica.

A Oxil, empresa que trabalha com manufatura reversa para a destinação ou reutilização dos resíduos gerados pelos processos produtivos e por produtos obsoletos ou inadequados ao consumo, desenvolve projetos na área de linha branca. A coleta das geladeiras, por exemplo, fica a cargo de parceiros e a Oxil é responsável pela separação do material para reciclagem.

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