21 de setembro de 2008

Lista da BIODIVERSITAS mostra a "POLITICAGEM" do Ministro Carlos Minc sobre vegetais em risco de extinção.

Ministério divulga lista com 472 espécies de planta sob risco; fundação que elabora a lista contesta e diz que são 1.495.

O Ministério do Meio Ambiente divulgou ontem a lista das espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção. São 472 espécies, mais do que o quádruplo da lista anterior, de 1992, que tinha 108.

O Ministério apresentou outra lista com 1.079 espécies com "deficiência de dados", cujas informações são insuficientes para confirmar o risco.

A Fundação Biodiversitas, instituição sediada em Minas Gerais e contratada para fazer a pesquisa e à qual é atribuída pelo ministério a elaboração da lista, porém, contestou o documento oficial e informou que há 1.495 espécies ameaçadas na lista entregue por eles ao governo há quase três anos, em dezembro de 2005.

De acordo com a coordenadora do projeto e da fundação, Gláucia Drummond, o documento apresentado "é político", "não reflete a situação das espécies" e deixa de proteger muitas em "situação crítica".

Segundo o ministério, o aumento da lista se deve à maior agressão ao ambiente -favelização, queimadas, contaminação de áreas e especulação imobiliária, por exemplo- e aos avanços da ciência, com crescimento da pesquisa e novos dados sobre várias espécies.

A região Sudeste é a que tem o maior número de espécies sob ameaça, com 74% do total, mais do que o dobro do Nordeste, a segunda região.

Isto se deve, de acordo com o ministério, ao fato de se tratar de alguns dos Estados mais populosos, urbanizados e industrializados do país, o que leva à maior degradação ambiental e põe em risco a vegetação e a flora nativas.

O bioma Mata Atlântica, como esperado, é o que tem o maior número de espécies na lista elaborada. Das 472 do total, 276 ocorrem na mata atlântica, 131 no cerrado, 46 na caatinga, 24 na Amazônia, 17 no pampa e duas no Pantanal -há espécies que ocorrem em mais de uma região do país.

O ministro Carlos Minc afirmou que pretende criar novas unidades de conservação, combater os crimes ambientais e estimular iniciativas de reflorestamento com espécies ameaçadas em seus ambientes nativos.

Entre as espécies ameaçadas estão o palmito jussara, o pau-brasil, o jequitibá, a castanheira e o mogno. De acordo com Minc, há uma série de restrições mais rígidas para corte, transporte e venda dessas espécies ou produtos advindos de sua utilização.

O desrespeito constitui crime ambiental, que tem como pena multas e até a prisão por cinco anos, no caso de dano direto ou indireto às unidades de conservação, por exemplo.

Para o ministro Carlos Minc, a "polêmica" sobre os números das listas é "saudável".

"Houve uma decisão de que não há informação suficiente para afirmar se estão ou não ameaçadas. O Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio e uma rede de cientistas vão se dedicar a passar a limpo as mais de mil para dizer quais estão ameaçadas", afirmou Minc.

O ministro também usou a falta de estrutura do ministério como argumento. "Eu me pergunto se temos capacidade de fiscalizar essas 472 espécies. Incluir mais mil é, aparentemente, mais defensivo, mas vulgariza e cria um número que não teremos condições de fiscalizar", disse.

A Fundação Biodiversitas contestou. "Nossa avaliação é biológica, não é política. O ministério tem uma lista política; nós, uma científica", afirmou Gláucia Drummond, que disse lamentar a divulgação da lista e a "falta de diálogo" com o ministério.

FONTE: Folha de São Paulo

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